Heróis da vida real

unnamed No início do mês de maio, me inscrevi em um curso de natação para iniciantes na cidade onde moro. Eu sei nadar, mas eu nado muito mal e feito uma pata bêbada. Resolvi que não iria doer aprender um pouquinho mais e aprender a nadar melhor. Este curso é dado pela unidade de Ulm do grupo de Salva Vidas (Deutsche Lebens-Rettungs-Gesellschaft – DLRG). No curso a gente aprende a nadar peito, mas mais importante que isso, em como não entrar em pânico dentro da água. Não era exatamente o que eu estava esperando do curso, mas no final das contas, além de me fazer um certo pânico irracional da água, me deu a oportunidade de conhecer o trabalho destes heróis.

O trabalho dos salva vidas na Alemanha é voluntário (em alemão, ehrenamt), ou seja, quem o faz não recebe nada por isso e o faz em tempo livre. Eles recebem algum suporte financeiro do governo, mas não dá para cobrir todos os seus gastos. Eles precisam pagar eletricidade e aquecimento da sede, além de manutenção e gasolina para seus veículos. Para arrecadar dinheiro pra esses gastos, eles precisam organizar eventos como rifas, festas, e cursos de natação. Além de dificuldades financeiras, eles ainda têm que dificuldades com as próprias pessoas que são salvas. Não foram poucas as vezes que foram acusados injustamente por assédio sexual, tentativa de estupro ou coisas piores. Tudo porque no meio do salvamento, alguma parte “proibida” fora tocada. Aí fico me perguntando que tipo de maldade essas pessoas têm na cabeça, para conseguirem pensar em sexo enquanto suas vidas estão sendo salvas.

Achei engraçado que as pessoas perguntaram para os nossos professores o porquê de eles fazerem isso, já que não recebiam por isso. E eu fiquei com essa pergunta na minha cabeça. Por que você faz algo que não te dá retorno financeiro? Imagino que cada um tenha motivos pessoais, mas acredito que um dos maiores motivos para trabalho voluntário é o sorriso de gratidão, o fato de poder ajudar alguém ou um animal em necessidade. E isso ainda me dá alguma esperança na humanidade. Parabéns, aos heróis da DLRG!

[Games] Steam Store – shut up and take my money!

Video games. Um lado meu que ainda não apareceu aqui no blog e é um assunto que eu gostaria de ter mais tempo para desenvolver, mas essa vida de doutoranda/namorida/mãe de coelhos/dona de casa/marombeira/corredora-wannabe consome todo o meu tempo e energia. E ainda mais morando na Zoropa, quero mais é viajar e explorar o velho mundo.

O que poucos sabem, eu entrei na Computação porque sempre fui apaixonada por jogos de videogame. Comecei cedinho, com meus tenros 5 anos, jogando The Goonies no MSX do meu irmão. Foi na Computação também que eu descobri que não tinha talento algum pra Inteligência Artificial e pra Computação Gráfica. Acabei indo pra área dos caras de terninho e que desenham caixinhas e ligam elas com flechinhas.

The Goonies, de 1986. Fonte: http://http://gamesdbase.com/

The Goonies, de 1986. Fonte: http://gamesdbase.com/

Meus gêneros favoritos são simulação, RPG (prefiro os ocidentais), estratégia, adventure e hack-n-slash. Sou muito ruim pra poder jogar online, mas eu juro que eu me esforço. Geralmente não termino os jogos que começo, por falta de tempo ou talento. Acaba que eu fico muito tempo sem jogar e acabo esquecendo como funciona o mecanismo do jogo e quando eu vejo, eu estou numa fase avançada demais para reaprender a jogar e aí eu desisto. Shame on me. No momento luto fortemente para conseguir terminar The Walking Dead Season 1 (PC) e The Last of Us (PS3), sendo que o último eu só vou conseguir terminar quando o meu amigo me emprestar o jogo de novo. Da safra mais moderninha de console, gosto muito de Red Dead Redemption, mas nesse eu perco mais tempo jogando Poker do que fazendo as missões. Quando eu estou fula da vida, rola um Battlefield só pra eu morrer umas 20 vezes e deixar ele na geladeira por mais alguns meses.

Mas não é disso que quero falar hoje. Haverão mais posts e mais oportunidades de falar desses jogos. Hoje eu quero conversar sobre a plataforma de jogos Steam (http://store.steampowered.com/), da Valve Corporation (bless Gabe Newell). Na verdade, ela é mais do que só um servidor que armazena jogos na nuvem. Ela é uma plataforma que gerencia distribuição digital de jogos, jogos multiplayer e também funciona como tipo uma rede social entre jogadores. A grande sacada da Steam é a super extensa variedade de jogos que é suportada por ela, disponibilizar os seus jogos pra download 24/7, poder ter seus saves sempre atualizadinhos e armazenados no servidor (adeus, frustração de save perdido), a gamificação dos jogos e da plataforma em si, e as promoções. Pra quem não sabe, a Steam sempre oferece vários jogos com desconto. São 10%, 15%, 20%, chegando às vezes a 75% de desconto. Em algumas épocas, como o Natal ou o Halloween, eles colocam diversos jogos (muitos deles mainstream) com descontos absurdos e é aí que todo mundo fica pobrinho. E é nessa que você começa a acumular jogos. São tantos jogos a verdadeiras merrecas que você fica com pena de não comprar. Aquele jogo legal que está com uma nota bem boa no metacritic e que você até pensou em comprar está pela merreca de 5 dinheiros. E tem aquele outro lá! Também por 4 merrequinhas. E assim, quando você vê, você não tem mais 5 ou 6 jogos na sua biblioteca. Você tem 273. Sim, este é o número atual de jogos que tenho na minha biblioteca. Quantos desse eu realmente jogo? 10? 15?

steam-o-meter

A plataforma oferece várias funcionalidades, dentre elas o Steam Workshop, onde é possível que usuários criem mods pros jogos, o Steam Greenlight, uma ótima oportunidade para desenvolvedores de games indies que querem um distribuidor pros seus jogos, e agora o Family Sharing, onde você adiciona usuários como sendo da sua família e eles podem jogar os jogos que você tem e vice-versa.

Meu perifl no Steam - username: cchiao

Meu perifl no Steam – username: cchiao

 

Porto (un)Happy

Ontem, dia 26 de março de 2014, foi comemorado o 242° aniversário de Porto Alegre.

Pra quem não sabe, sou natural de lá, e é a cidade do meu coração.

Aproveitando isso, um grupo de estudantes resolveu fazer um vídeo muito bem humorado e criativo para alertar dos problemas da cidade, dançando ao som de “Happy” do Pharrell Williams – aliás, ô música pra colar na cabeça. A cidade, assim como o resto do Brasil, está passando por uma série de reformas para entrar nos padrões de “qualidade” da FIFA para a Copa do Mundo. Só que obviamente essas reformas não vão ficar prontas até lá. Além disso, tem várias outras cagadas da prefeitura, como mandar cortar as árvores porque “ninguém estava usando”. Poxa, PoA sempre foi uma das cidades mais arborizadas do Brasil!

Estive por lá no final de outubro do ano passado, e mesmo só passando 3 semenas, deu para notar como a cidade anda mais caótica por causa dessas inúmeras obras.

#mudaPOA

Keto, Paleo, Vegan, Vegetariano, Peixetariano, bla bla bla

Oi, gente… Ainda tô viva, tsá?

Então, vou publicar um texto aqui que já publiquei no meu outro tumblr.

Hoje eu quero escrever sobre todos esses rótulos: vegan, paleo, keto, vegetariano, etc. Tem várias pessoas que seguem uma ou outra dieta dessas. Eu mesma sigo a filosofia da dieta paleo. Mas é porque o que tem funcionado melhor para mim e o namorido. O que todas essas dietas têm em comum é a restrição de um ou mais grupos de alimentos. E essa restrição faz com que uma dieta vá contra os princípios da outra, tipo keto e paleo que basicamente consome muita carne e gordura, contra vegana e vegetariana, que não consomem nenhuma carne.

O que eu tenho visto ultimamente é que as pessoas que pertencem a essas “facções” ficam sempre indo de contra às pessoas de outras facções, com ironia, sarcasmo, piadinha, ou às vezes até baixando o nível mesmo. Hoje mesmo eu li “Vou lá comer meus vegetais enquanto você pode continuar gorda comendo o seu bacon lol”.

Primeiro, cada um é responsável pelo que põe em sua boca (no bom sentido é claro), certo? Se você não concorda com o que a outra pessoa está comendo, guarde os comentários para si. Afinal, aquele não é o seu corpo, é o corpo dele/dela! Cuide do seu próprio nariz! Se você acredita que comer mais gordura e proteína que carboidratos vai te fazer bem, beleza, siga nessa linha! Não dê bola pro que os outros dizem, ignore as piadinhas, só não critique de volta! É um círculo vicioso que não vai te levar a lugar algum. É deprimente e babaca.

O sentimento que eu tenho com pessoas que seguem determinadas dietas/rótulos é que isso está virando quase que uma religião. Se a pessoa é cristã, ela vai de contra os ateístas. Os ateístas, por sua vez, acham que todo cristão é burro porque acredita em Deus. De novo, cuide do seu próprio nariz. Aceite as diferenças! Parem com preconceitos!

Dois e quatorze (longo post e bem pessoal)

No dia 2 de julho de 2013, eu cometi a loucura de me inscrever em uma meia maratona em Munique. Meu coração batia acelerado quando eu apertei o botãozinho de inscrição. Mas, de alguma forma, eu estava confiante de que conseguiria completar este desafio.

Os meses se passaram e minha canela esquerda começou a me incomodar. Parabéns, Carolina, você está com canelite. E ela ia piorando conforme o tempo até o ponto de eu não mostrar mais nenhum progresso com o meu pace e a única coisa que ficava mais forte em mim era minha dor. Por causa disso, me forcei a reduzir a carga de treinos, o que não ajudou nem um pouco em melhorar meu vigor. Meus últimos treinos antes da corrida foram bem ruins, comigo ou desistindo ou tendo que andar por alguns metros. No domingo antes da corrida, eu tentei ao menos correr uma vez os 21 quilômetros. O resultado dela foram desistência nos 18,5 quilômetros, fortes dores e minha auto-estima destruída. Isto foi o gatilho para iniciar uma semana recheada de ansiedade, gastação de dinheiro e noites mal dormidas. Eu estava quase convicta de que eu seria desclassificada, que não conseguiria terminar a prova no tempo máximo de 2:30:00.

A semana passou comigo com TPM, lendo todos os depoimentos disponíveis em torno do tema “minha primeira meia maratona” na Internet (em 3 diferentes línguas), chorando com alguns deles, assistindo a diversos vídeos de corrida no YouTube, chorando com algum deles, gastando RIOS de dinheiro com suplementos alimentares (já que uma das causas de eu ter bonkado foi falta de comida) e acessórios pra minha canela machucada. Nesta semana, eu não consegui me concentrar pra trabalhar. Meus finais de dia consistiram basicamente em esfriar a canela, passar pomada nela, colocar ela pra cima.

Minha perna biônica

Minha perna biônica

E sábado chegou e com ele a minha viagem a Munique. O trem que me levava para lá passou pelo trecho na beira do Rio Danúbio, pelo qual eu fiz meu último (e fracassado) treino. No que eu vi o rio passar, meu estômago embrulhou-se e eu me dei conta que não tinha mais volta. Eu tinha que fazer aquilo.

O sábado foi legal, encontrei meus amigos que moram em Munique e que iam correr também (Agi, Ric, e Julio: ❤), busquei meu kit de inscrição, assistimos vídeos da corrida do ano passado e aos poucos a ansiedade começou a diminuir e a confiança ficou um pouco mais forte em mim. Meu objetivo era terminar a prova dentro do tempo limite. A ambição de fazer um bom tempo é história para uma próxima prova.

O domingo começou frio com uma chuva fina (desespero pro pessoal que ia correr pela manhã). A previsão do tempo para a tarde (horário de início da meia maratona) era de 11ºC, o que não era muito quente nem muito frio. Mas na Alemanha isso não significa nada. Tudo podia acontecer. Então decidi que iria correr de shorts e uma blusa de manga comprida, além do colete onde meus gels e meu celular iriam.

Tomamos café e partimos pro local da largada. A chuva já tinha parado quando chegamos lá. Vendo os maratonistas e o pessoal que ia correr os 10K se preparando começou a me deixar mais animada. A presença dos meus amigos e a música me deixaram empolgada. Quando as corridas da manhã começaram, o sol já brilhava no céu, iluminando tudo e todos e deixando o cenário de outono mais lindo. Depois da largada dos 10K, eu e a Ana (TE AMO! OBRIGADA POR TUDO!) fomos acompanhar os corredores dos 10K na metade do percurso. Gritamos, batemos palma, cantamos e demos muitos high fives nos corredores que passavam. Espero que a nossa torcida tenha ajudado e motivado alguns deles. Sim, amiguinhos, a torcida ajuda muito durante a prova.

Tênizes e seus chips

Tênizes e seus chips

Ao meio dia, encontramos os meninos dos 10K e o Drebes na chegada e eu comi meio sanduíche e um pretzel com café. A hora da largada se aproximava e minha ansiedade também. Como a largada da meia maratona era do outro lado da cidade e o transporte público podia complicar, resolvemos sair com mais de 1 hora de antecedência de lá pra poder chegar em tempo na largada. Ledo engano. Acabamos precisando de quase 1 hora para chegar no local da corrida e eu acabei tendo que me preparar para a corrida no caminho. Para trocar de roupa, eu me enfiei em uma obra. Quando vesti o monitor cardíaco, meus batimentos já estavam de 130 a 140. Parada. Na fila do banheiro.

Até parece bonitinha

Até parece bonitinha

Estava quente, e eu acabei me arrependendo de não ter trazido uma camiseta. Correr só com o colete não era uma opção, porque eu ia acabar criando assaduras embaixo dos braços. A corrida estava para iniciar. Dei tchau pros meus amigos, respirei fundo, liguei o app de corrida do celular, o monitor cardíaco e parti. Eu tinha decidido que ia levar 3 gels comigo, por medo de faltar combustível no meio da prova. Quando botei a mão na minha perna esquerda, que era para um dos gels estar, não achei nada. Merda. Tá, tudo bem, respira fundo, pega um dos gels ruins que eles estão distribuindo no meio da corrida e é isso. A perna não está me incomodando. YAY!

Eu decidi que ia começar devagar, pra guardar força até o final da prova. Então eu comecei a procurar alguém que estivesse com um pace mais lento pra poder acompanhar. Depois de várias tentativas falhas, acabei encontrando um mocinho, que, na verdade, estava seguindo o meu pace. Eu e ele corremos juntos até o quilômetro 14, onde eu o perdi de vista quando parei numa das estações de água. Obrigada, mocinho!!! Se não fosse por você, eu não sei se teria mantido meu pace tão bem!

No quilômetro 16, eu comecei a me sentir bem cansada e eu só tinha mais 1 gel, que era para ser usado no quilômetro 18. Então no quilômetro 17, eu abri ele e dei um golinho e guardei o resto pra mais tarde. 500 metros depois, e eu já tinha sorvido tudo. Eu realmente achei que ia “bonkar” (hit the wall? acertar a parede?) no quilômetro 18. Mas quando eu passei pela plaquinha escrita “18”, eu comecei a sorrir. Eu ainda estava bem, meu tempo não era tão ruim, e… OLHA LÁ! Os pace bunnies do 2:15 estão logo lá na frente! Será que eu vou conseguir terminar em 2:15? Eu só tinha uma forma de saber, chegar com eles! E eu corri. Sempre cuidando pra não correr demais a ponto de cansar e não conseguir mais seguir adiante. A sola dos meus pés doíam. Eu estava com bolhas nos pés. E aí que a briga comigo mesma começou. De um lado, tudo que eu queria era parar e andar. Do outro, eu gritava “VAMOS! FALTAM SÓ 3 QUILÔMETROS! ISSO NÃO É NADA!!! DOIS E QUINZE!!!!!”

Corre, minina!

Corre, minina!

Os últimos 3 quilômetros foram uma mistura de felicidade, esperança, e cansaço físico. No quilômetro 19, quando eu avistei o Olympia Stadium, minha cabeça simplesmente se desligou. Tudo que eu sabia era que eu precisava continuar a correr. Um pé após o outro, de novo, repita. “Mais 200 metros”, disse o carinha do microfone em um tom desanimador. Eu sabia que eram muito mais que 200 metros, mas de alguma forma eu me deixei acreditar. Um pé após o outro, de novo, repita.

Quando passamos pelo túnel do estádio, com luzes e fumaça, eu achei que a chegada estava próxima. Aí acordei do transe em que me encontrava e a vontade de chorar veio junto. Mas chorar e correr ao mesmo tempo não é legal, amiguinhos. Me faltou o ar bonito na hora.

Só que a linha de chegada não estava tão próxima quanto eu achava que estava. Eu ainda tinha que correr toda a extensão ao redor do campo. Quando eu olhei pra minha direita, lá estava a linha de chegada. Eu tentei sprintar os últimos metros. Mas tinha muita gente na minha frente. E minhas pernas já não tinham mais o controle para desviar dessas pessoas. Então eu corri devagar até a chegada. Quando eu cruzei a chegada, as lágrimas voltaram. Minhas pernas doíam, meus pés doíam, minhas bolhas doíam. Mas eu não estava chorando de dor. Eu estava chorando de alegria, de orgulho de mim mesma. Foram meses de treino, trabalho duro e machucados. Tudo valeu a pena. Quando olhei pro meu relógio, lá estava: 2:14:08. O tempo oficial é de 2:15:13, mas, para mim, é DOIS E QUATORZE, PORRA!!!!!!

Meu mico, mico meu e minha medalha linda.

Eu chorona e minha medalha linda.

O bichinho da corrida

Há pouco mais de um ano atrás, meu eu do passado reclamava que nunca conseguiria correr na vida. Olhava as pessoas correndo na rua e admirava, pensava “Puxa, essas pessoas são demais. Eu nunca vou conseguir fazer o que elas fazem”. Não foram poucas as tentativas em que eu tentei ultrapassar a barreira dos 5K. E todas terminaram sem sucesso.

Em algum dia frio de novembro de 2012, eu subi na esteira, determinada a conseguir passar dessa barreira. Pensei: “Vamos fazer isso com calma. Vai que eu consigo!” E não foi por menos. Eu consegui passar a barreira dos 5K. Lembro que levei algo em torno de 40 minutos para terminar, mas eu consegui terminar. Voltei pra casa eufórica, abracei meu namorado e comemorei naquele dia meus primeiro 5K corridos. Mal sabia eu que o bichinho da corrida começava a me morder.

Em fevereiro de 2013, corri minha primeira corrida oficial. Foi durante minhas férias no Brasil, com minha melhor amiga e meu namorado. Nunca vou me esquecer a vibe daquela corrida. Pessoas felizes, dançando, contentes. E o bichinho da corrida começou a morder mais forte. Comecei então a aumentar distâncias, chegando aos 10K. Foram mais duas corridas, agora na Alemanha. A confiança aumentava com cada treino, e eu me inscrevi numa meia-maratona.

Neste domingo, dia 13 de outubro, irei correr minha primeira meia-maratona. Estou muito ansiosa, com bastante medo de não conseguir terminar a prova, dado o resultado da última corrida no domingo passado. Minha canela esquerda dói muito ainda, inflamada, resultado de muita forçação de barra nos treinos e tênis inapropriados. Por causa dessa canela, pensei que esta seria minha última prova do ano, me colocando “de molho” pelos próximos 3 meses. Neste tempo, eu investiria na academia, trabalhando a musculatura e reforçando a musculatura das pernas.

Ingenuidade a minha.

O bichinho da corrida já está me mordendo de novo, cogitando correr uma prova de 10 milhas (16K) em Porto Alegre. Seriam 3 semanas depois da meia-maratona. E na semana seguinte a essa, tem outra corrida que parece ser legal, de revezamento. Seriam novamente algo em torno de 10K na minha conta. Fico em dúvida. Minha perna precisa desse descanso, do jeito que está, ela não pode continuar. Mas ao mesmo tempo, o bichinho só me induz a ir além. Já tinha ouvido falar que corredores são pessoas estranhas, com seus hábitos não-convencionais e por não respeitarem muito seus limites físicos.

Agora eu consigo entender porquê.